Acessibilidade em games: a tecnologia para jogos inclusivos
Você já refletiu na experiência de jogar videogame? Muito provavelmente, o pensamento base é ligar o videogame / computador, pegar o controle / teclado e mouse, escolher o jogo e jogar, certo? E como é essa experiência para a comunidade PcD, você já pensou?
Apesar de ter sido negligenciado por muito tempo, felizmente esse tema tem sido tratado com mais seriedade e esforço pelos estúdios e empresas de games nos últimos anos; com isso, a acessibilidade deixou de ser um "extra" de desenvolvedoras exclusivas e se tornou um item importantíssimo e até diferencial competitivo.
Acessibilidade em jogos: um direito para todos
Se pensássemos em acessibilidade em jogos 10 anos atrás, falaríamos, no máximo, de legendas e áudio para ajudar a guiar pessoas com deficiência visual.
Hoje, esse cenário vem mudando gradualmente. Com a diversidade e a inclusão dominando o mercado corporativo, o ESG sendo um tema em alta e as discussões chegando a todos os segmentos, o mercado de games também foi positivamente impactado pelo pensamento que os jogos devem (e precisam) ser um direito de todos.
Para se ter uma ideia do tamanho do público gamer com alguma deficiência, segundo uma das pesquisas mais famosas do segmento no Brasil, a Pesquisa de Games Brasil (PGB), cerca de 20% dos jogadores têm algum tipo de deficiência – no Brasil, o número é de cerca de 25 milhões de pessoas e, se somarmos, Europa, Estados Unidos e Brasil, são mais de 120 milhões de jogadores PcD.
A pesquisa ainda mostra que metade deles precisa de acessórios ou funções específicas de acessibilidade para poder jogar.
Considerando a importância do tema, o isolamento e o "esquecimento" da sociedade na época, em 2004, a AbleGamers, uma organização americana sem fins lucrativos foi criada, atuando globalmente para possibilitar a inclusão de jogadores com deficiência no mundo dos games.
Em 2017, a organização chegou ao Brasil atuando apenas para arrecadação de fundos para seus eventos internacionais e divulgação do movimento de acessibilidade em games. Após, aproximadamente, 4 edições, a instituição entendeu a repercussão e o sucesso do tema no país e, em 2020, resolveu atuar e investir por aqui.
A tecnologia assistiva e seus impactos
Como mostra a PGB, a comunidade gamer PcD necessita de acessórios e funções específicas de acessibilidade para conseguir jogar, com isso, a tecnologia é uma das principais aliadas para trazer mais conforto e inclusão a comunidade gamer.
É preciso pensar que a inclusão visa quebrar barreiras e tornar o ambiente gamer acessível a todas as pessoas, ou seja, não adianta criar um modo de daltonismo, mas não se preocupar com luzes intermitentes que podem gerar episódios de epilepsia, por exemplo.
Deficiências visuais, auditivas, motoras e intelectuais são as principais trabalhadas pelos estúdios de games e eles já perceberam que a melhor opção é ouvir e aprender com os próprios jogadores para entender onde agir e não passar por esse tipo de situação, como mencionamos.
Ouvindo o feedback dos jogadores, estudando e explorando as tecnologias assistivas, as desenvolvedoras de jogos entenderam que essa é a opção que mais une impacto positivo e inclusão com suas várias possibilidades: interfaces adaptativas, controles personalizáveis, rastreamento ocular, realidade virtual e sistemas de vibração tátil são algumas das opções que estão proporcionando novas maneiras de jogar e interagir com os jogos, independentemente das habilidades físicas ou cognitivas.
Games com jogabilidade inclusiva
Empresas como a Riot Games, têm se destacado no tema acessibilidade. Em março de 2023, a empresa proporcionou em um evento do segmento a tradução simultânea em linguagem de sinais e chamou atenção por possibilitar pela primeira vez que um torneio internacional de elite contasse com esse tipo de acessibilidade. Em outras oportunidades, a empresa também fortaleceu a participação de mais mulheres no mundo dos games.
Design inclusivo: desenvolvendo jogos para todos
Como mencionamos, jogos acessíveis não são mais uma opção secundária ou que são tidas como "extras" e/ou "exclusividade" de uma franquia específica.
A acessibilidade precisa ser pensada desde o game design do jogo, entendendo com os próprios jogadores quais são as dificuldades, o que precisa ser melhorado e como a experiência pode se tornar mais inclusiva.
Aqui na Media.Monks, por exemplo, o design inclusivo é uma premissa para tornar as entregas mais acessíveis e confortáveis para todos os públicos. Investimos, por exemplo, em jogos infantis que são jogados através do comando de voz, assim conseguimos possibilitar a diversão para pessoas com deficiências visuais ou motoras.
Comunidade e acolhimento
Ouvir a comunidade é parte fundamental do trabalho com acessibilidade no universo dos games, afinal, apenas os jogadores com algum tipo de deficiência podem dizer o que é melhor para a experiência, como foi o exemplo de Carlos Vazquez, deficiente visual e jogador de jogos de luta que chegou à final da EVO, em 2013 (maior campeonato de jogos de luta). Ouvir sua história fez com que os desenvolvedores melhorassem a acessibilidade de Injustice para jogadores cegos.
Vale ressaltar que a maioria dos recursos de acessibilidade do título são sugestões dos próprios jogadores PcD.E é importante ressaltar que a comunidade vai além dos jogadores. Ela segue crescendo e hoje se vê representada por streamers como Fabrício Ferreira, de 24 anos, conhecido na Internet como Fabrício SDW. O jovem do Rio de Janeiro, possui uma deficiência rara chamada Atrofia Muscular Espinhal e faz suas lives em sua própria cadeira de rodas com um setup improvisado.
Além dos streamers jogando, de fato, existem outros materiais que vêm sendo construídos sobre o tema, como: séries e podcasts.
É fundamental ressaltar que a comunidade de gamers PcD não representa apenas feedbacks para estúdios, mas também acolhimento, representatividade e visibilidade para que as empresas possam trazer cada vez mais projetos inclusivos para esse universo repleto de possibilidades.
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