O valor de pensar devagar em um mundo acelerado
Diante de máquinas que respondem tudo em segundos, refletir e decidir melhor é o verdadeiro diferencial humano
Recentemente, em um evento em São Paulo, o psicólogo Jonathan Haidt lançou uma provocação que ainda ecoa: será que estamos abrindo mão de refletir, justo quando a tecnologia nos força a responder tudo no ato?
O curioso é que, no meio dessa pressa, a pergunta certa voltou a ter valor e pode ser um bom ponto de partida. A explosão de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o Gemini, trouxe de volta algo essencial: o valor da boa pergunta.
A pergunta bem feita, que andava em coma na correria do dia a dia, virou protagonista. Os cursos de ‘como criar bons prompts’, famosos na internet, nada mais são do que treinamentos para pensar antes de pedir, algo que deveríamos fazer de forma natural.
Nas últimas décadas, a exigência de respostas imediatas nos condicionou a reagir em vez de refletir. Mensagerias, que deveriam conectar, viraram máquinas de resposta automática.
O contato ficou mais ágil, mas nossa escuta (e nossa análise) ficou mais rasa. E, sem pausa para pensar, perdemos o contraponto, a perspectiva, a profundidade.
Quando tudo é urgente, o tempo de pesquisa encurta, a decisão encurta, a mensuração encurta. Com isso, a reflexão some.
Perdemos a chance de sentar com a ambivalência, de sustentar duas ideias opostas antes de escolher uma. Em reuniões, quem ainda se arrisca a discordar? Quantas vezes engolimos uma opinião para não atrasar a pauta?
Evitar o exercício desse músculo da ambiguidade nos faz ficar cada vez mais superficiais, em um mundo que a IA se torna cada vez mais perspicaz.
Perguntar é mais relevante do que nunca
Essa pressão por resposta imediata é uma armadilha, mas também uma oportunidade: em um mundo cada vez mais automatizado, quem reflete com rigor se diferencia.
Para times criativos, é quase um manifesto: contrapor, tensionar ideias, fazer perguntas incômodas é mais relevante do que nunca.
Quais as condições para um futuro mais inteligente?
Nesse momento em que precisamos valorizar as boas perguntas, ficam algumas questões:
– e se a gente aceitasse conviver mais tempo com contradições antes de escolher um caminho?
– e se abrir espaço para momentos em que ‘pensar devagar’ não fosse luxo, e, sim, parte do processo?
– e se um silêncio intencional pudesse valer mais do que uma resposta na ponta da língua?
– e se criar ambientes onde o contraponto é bem vindo fosse o que realmente faz diferença?
No fim, não se trata de voltar a um passado mais lento, mas de construir um presente mais lúcido.
Perguntar melhor, refletir melhor, decidir melhor: esse é o verdadeiro diferencial humano, em um mundo de máquinas que respondem tudo em segundos.
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